A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou a possibilidade de abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi marcada nesta terça-feira (15) por troca de acusações, discussões entre integrantes da Corte, declarações sobre o caso Banco Master e manifestações de impedimento. Após quase oito horas, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, sem que o plenário analisasse o mérito das suspeitas envolvendo Moraes.
Ministros trocam acusações durante o julgamento
Um dos momentos de maior tensão ocorreu durante um confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. Moraes questionou a atuação do colega nas apurações e afirmou que Mendonça teria tentado incluí-lo em uma colaboração premiada. O ministro classificou o procedimento como “fraudulento” e disse ter testemunhas que poderiam ser ouvidas pelo Supremo. Mendonça respondeu que a acusação era mentira.

Outro embate envolveu Gilmar Mendes e Mendonça. O decano do STF acusou o colega de conduzir processos relacionados ao Banco Master com “inequívoco viés político-eleitoral” e fez referências à máfia italiana e ao código de silêncio conhecido como omertà.
A sessão também teve um momento de tensão entre Flávio Dino e o presidente do STF, Edson Fachin. Os dois discutiram sobre o procedimento para pedidos de palavra durante o julgamento. Dino afirmou que seguiria o regimento interno da Corte, enquanto Fachin reiterou que a palavra deveria ser solicitada à presidência.
Filho de Nunes Marques é citado em mensagens do caso Master
Durante a sessão, também foram divulgadas mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. As conversas mencionam um suposto pagamento mensal de R$ 500 mil relacionado ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques.
Nunes Marques negou que o filho tenha recebido pagamentos do banco e afirmou que ele nunca trabalhou para o Master. Kevin Marques também negou ter prestado serviços à instituição ou recebido dinheiro diretamente de Vorcaro.
O episódio levou Nunes Marques a declarar seu impedimento para participar do julgamento. Dias Toffoli também informou que não votaria, por suspeição de foro íntimo.
Cármen Lúcia pede desculpas durante sessão
A ministra Cármen Lúcia pediu desculpas aos brasileiros durante a sessão. Ela afirmou que o papel do Supremo deveria ser proporcionar tranquilidade ao país, e não contribuir para um quadro de desconfiança em relação à instituição.
A ministra também reconheceu a responsabilidade da própria Corte diante da escalada das controvérsias relacionadas ao Banco Master. Além do pedido de investigação envolvendo Moraes, existe uma petição apresentada pelo próprio ministro contra André Mendonça por suposto abuso de autoridade.
O julgamento terminou sem análise do mérito das suspeitas contra Moraes. Com o pedido de vista de Dino, a retomada da discussão deverá ocorrer posteriormente.




