O governo de Donald Trump incluiu entre as exigências feitas ao Brasil a garantia de participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. O pedido constava de um documento com 21 pontos entregue a representantes brasileiros em outubro de 2025, durante as negociações entre os dois países após a imposição de tarifas adicionais de 50% sobre produtos brasileiros. A informação foi revelada pelo Estadão e confirmada por outros veículos.
O documento afirmava que o Brasil deveria se comprometer com eleições presidenciais livres e justas e não poderia “deter, prender, nem limitar arbitrariamente” a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral. Segundo fontes do Itamaraty, porém, a proposta não foi incorporada às negociações oficiais e acabou sendo rejeitada pelo governo brasileiro.
O que significa “dissidentes políticos” no pedido dos EUA
De acordo com integrantes do Itamaraty ouvidos pelo Metrópoles, a expressão utilizada pelos Estados Unidos faria referência a Jair Bolsonaro e a manifestantes envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O documento, entretanto, não identificava nominalmente essas pessoas. Diplomatas brasileiros também argumentaram que não existe, no ordenamento brasileiro, uma categoria de “dissidentes políticos” com esse significado.
Segundo uma fonte do Itamaraty, o pedido chegou a circular apenas entre integrantes do nível técnico das negociações e não avançou para a esfera política. A avaliação foi de que a proposta não poderia servir como base para um acordo e, nas palavras de um interlocutor, “nasceu morta”.
A exigência fazia parte de uma lista mais ampla apresentada durante as tratativas comerciais. Outros pontos envolviam questões como compra de aeronaves da Boeing por empresas brasileiras, minerais críticos e regras relacionadas ao sistema de pagamentos eletrônico.
Em agosto de 2026, o governo dos Estados Unidos havia afirmado ao Metrópoles que respeitaria a escolha dos brasileiros caso as eleições fossem “livres e justas”. A declaração ocorreu depois que o governo brasileiro negou vistos a funcionários americanos que pretendiam vir ao país em uma chamada “missão eleitoral”. Na ocasião, Washington negou intenção de interferir nas eleições brasileiras.





