Os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) começaram a analisar, no fim de semana, dados extraídos de um dos celulares do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material foi enviado pela Polícia Federal à Corte e reúne cerca de 500 gigabytes de arquivos, segundo informações publicadas pela Revista Oeste nesta segunda-feira (21).
Entre os arquivos estão conversas, documentos e registros de atividades do aparelho. O conteúdo poderá ser utilizado para identificar novos elementos e eventuais lacunas nas investigações que envolvem o empresário e suas relações com autoridades e pessoas próximas ao poder. A análise ocorre após ministros do STF solicitarem acesso às informações extraídas pela Polícia Federal.
Dados foram enviados a ministros do STF
Cópias do material foram encaminhadas aos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques. Segundo a Polícia Federal, os arquivos entregues aos magistrados correspondem à extração realizada no aparelho original, que permanece sob custódia da corporação.

A análise ocorre em meio a uma disputa interna no STF pelo acesso ao conteúdo. Zanin e Gilmar Mendes haviam solicitado ao presidente da Corte, Edson Fachin, acesso ao espelhamento do aparelho. Antes de uma decisão de Fachin, os dois ministros, além de Alexandre de Moraes, determinaram diretamente à PF o envio das cópias.
O conteúdo do celular ganhou relevância depois que informações extraídas do aparelho passaram a integrar outras medidas investigativas. Reportagens anteriores apontaram registros de contatos de Vorcaro com autoridades dos Três Poderes. Também foram divulgadas informações sobre relações do empresário com pessoas próximas ao ministro Alexandre de Moraes. Moraes e o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, contestam irregularidades.
A Polícia Federal utilizou o sistema IPED para organizar o conteúdo e ferramentas destinadas à recuperação de dados apagados ou protegidos por senha. Os gabinetes dos ministros também adotaram medidas para evitar a exposição de informações pessoais sem relação com as investigações e de dados de apurações em andamento.
Ainda não há prazo definido para a conclusão da análise nem decisão sobre quais providências poderão ser adotadas a partir dos dados encontrados no aparelho.



