Mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) colocam o ex-dono do Banco Master no centro de uma série de tratativas envolvendo pessoas próximas ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os documentos está um contrato que previa até R$ 427 milhões em honorários para o escritório da mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
O acordo envolvia ações relacionadas a precatórios que poderiam resultar no recebimento de aproximadamente R$ 8,5 bilhões pelo Banco Master. O contrato previa honorários de 5% sobre os valores obtidos em 12 processos envolvendo indenizações relacionadas ao antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Os créditos dessas ações haviam sido adquiridos pelo Master.
Vorcaro e as mensagens sobre a “Turma do KN”
As conversas encontradas pela PF mostram assessores de Vorcaro usando a expressão “Turma do KN” para se referir a Newton Ramos e à advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador. Nas mensagens, “KN” é associado a Kassio Nunes Marques.
Os diálogos também registram pedidos atribuídos ao ministro. Em uma das conversas, um assessor informa a Vorcaro que Newton havia solicitado uma reserva no hotel Fasano para “KN”. Em seguida, uma mensagem encaminhada ao banqueiro menciona um pedido atribuído a Nunes Marques para uma diária. Vorcaro autorizou que a despesa fosse colocada em sua conta.
As mensagens também tratam do julgamento de processos relacionados aos precatórios do setor sucroalcooleiro. Nunes Marques havia inicialmente sido considerado impedido, mas posteriormente pediu a correção do registro e participou do julgamento. A mulher de Newton Ramos chegou a elogiar, em mensagem enviada a Vorcaro, o voto do ministro.
Nunes Marques afirma que o processo não era uma ação específica do Banco Master e que sua decisão tratava de uma tese aplicável a diferentes empresas. O ministro também nega ter votado em favor do banco e afirma que não manteve contato com Vorcaro.
Além do contrato, as mensagens citam hospedagens, camarotes, viagens e a reserva de uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025. O imóvel foi alugado por cerca de R$ 1,45 milhão por uma semana.
O material integra os arquivos encaminhados pela PF ao STF no âmbito da investigação sobre o caso Master. As mensagens e o contrato passaram a fazer parte das informações analisadas pelos ministros da Corte.




