A proibição das casas de apostas esportivas, as bets, no Brasil ameaça uma das principais fontes de receita do futebol nacional. Em 2025, as empresas do setor destinaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior faturamento do país, valor equivalente a aproximadamente 36% da receita de marketing dessas equipes. Com a Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026, os clubes enfrentam mudanças que podem afetar contratos comerciais e o planejamento financeiro.
Proibição das bets atinge patrocínios do futebol
A medida provisória proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em território nacional, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. A norma também veda ações de marketing e patrocínio relacionadas à atividade e estabelece prazo de até dez dias para a retirada de materiais publicitários e sinais de patrocínio.
O impacto financeiro varia conforme o clube. Em 2025, os recursos provenientes das casas de apostas representaram 73% da receita de patrocínios do São Paulo, seguido pelo Atlético-MG, com 69%, e pelo Botafogo, com 57%. Corinthians e Flamengo também registraram participação expressiva, com 54% e 50%, respectivamente.
Quando a comparação considera a receita total dos clubes, o Corinthians aparece com a maior proporção entre os times citados, com 15%, seguido pelo Flamengo, com 13%. São Paulo e Santos registraram 10% cada.

Clubes podem enfrentar mudanças nos contratos comerciais
A restrição também pode repercutir sobre outras fontes de financiamento do futebol. A publicidade das casas de apostas integra o mercado comercial que sustenta patrocínios, exposição de marcas e investimentos ligados às competições esportivas.
A dimensão dos efeitos dependerá da aplicação da medida e das consequências para os contratos existentes. A retirada das marcas pode exigir renegociações e a busca por novos patrocinadores, especialmente entre equipes cuja receita comercial depende fortemente desse segmento.
Os números de 2025 mostram o peso que as empresas de apostas conquistaram no financiamento dos principais clubes brasileiros. Com a mudança nas regras, o desafio será reorganizar parte das receitas comerciais em um cenário no qual os patrocínios ligados às bets ficam proibidos.




