O senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende aproveitar o debate da TV Globo presidencial, marcado para quinta-feira (1º), para atrair eleitores de outros candidatos da direita e tentar levar a disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um segundo turno — ou até buscar uma vitória já na primeira votação. A estratégia ganhou força na reta final da campanha, com a aproximação dos dois candidatos nas pesquisas e a tentativa do PL de concentrar votos da oposição.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro, Lula registrou 40% das intenções de voto, enquanto Flávio apareceu com 36%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Os números indicam uma diferença de quatro pontos no levantamento, mas não permitem, isoladamente, antecipar o resultado das urnas.
Campanha aposta no voto útil da direita
A equipe de Flávio passou a incentivar eleitores que apoiam outros candidatos de centro-direita a reconsiderar o voto. No levantamento do Datafolha citado pela campanha, Augusto Cury (Avante) tinha 5%, Ronaldo Caiado (PSD), 4%, Renan Santos (Missão), 3%, e Romeu Zema (Novo), 1%.
A soma desses percentuais representa uma parcela do eleitorado que o PL pretende conquistar nos últimos dias antes da votação. A estratégia é apresentada pela campanha como uma forma de evitar a dispersão dos votos entre candidaturas de oposição e ampliar a votação de Flávio no primeiro turno.
O senador confirmou que participará do debate mesmo que Lula não compareça. Durante uma agenda em Goiânia, afirmou que pretende confrontar o presidente diretamente e apresentar sua visão para o país. A decisão representa uma mudança em relação à postura anterior, quando sua presença era condicionada à participação do petista.
Debate da TV Globo pode ampliar exposição de Flávio
O encontro da Globo também é visto pela campanha do PL como uma oportunidade de responder a controvérsias que ganharam espaço nas redes sociais durante a reta final da disputa. Entre elas está a circulação de informações falsas que associam Flávio à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
A equipe do senador pretende aproveitar a transmissão para falar sobre temas como segurança pública e custo de vida, além de questionar medidas adotadas pelo governo Lula. A preparação inclui treinamento para o confronto e orientações para evitar declarações improvisadas que possam desviar o foco da campanha.
Presença de Lula ainda era discutida
Enquanto Flávio confirmou participação, a campanha petista ainda discutia o comparecimento de Lula. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o presidente deseja debater com o adversário, mas defendeu um formato que permita confrontar diretamente as propostas dos candidatos.
O debate está previsto para quinta-feira (1º), às 21h30, após o Jornal Nacional. Além de Lula e Flávio, foram convidados Ronaldo Caiado e Augusto Cury. O encontro será realizado três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).





