A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte turbulência no mercado financeiro brasileiro no primeiro pregão após o segundo turno das eleições, realizado nesta segunda-feira (26). O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, enquanto o dólar comercial subiu 8,21%, encerrando o dia cotado a R$ 5,403. A sessão também foi marcada por uma interrupção temporária das negociações na Bolsa devido à intensidade das perdas.
Bolsa registra maior queda diária desde 2020
Durante a manhã, o Ibovespa chegou a recuar mais de 17%, atingindo a mínima de 169.516,43 pontos. A pressão vendedora levou a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações quando o índice atinge determinado limite de queda. Foi a primeira utilização do recurso desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19.

O resultado representou a maior queda diária do índice desde aquele período. Com o recuo, a Bolsa devolveu os ganhos acumulados em outubro e passou a registrar desvalorização de 5,22% no mês. Apesar da queda, o Ibovespa ainda acumulava alta de 9,61% em 2026.
Dólar tem maior alta diária desde 1999
O dólar comercial chegou a superar R$ 5,60 durante o pregão, antes de reduzir parte da valorização. No fechamento, a moeda americana ficou em R$ 5,403, com alta de 8,21%. Foi a maior valorização percentual diária desde janeiro de 1999, quando o Brasil passou por mudanças em seu regime cambial.
A movimentação refletiu a revisão das posições de investidores após o resultado eleitoral. Parte do mercado apostava na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e em mudanças na condução da política fiscal. Com a reeleição de Lula, investidores ajustaram suas estratégias diante das expectativas para os gastos públicos, a dívida e os juros.

Juros futuros sobem com preocupação fiscal
Os contratos de juros futuros também registraram forte alta durante a sessão. As taxas chegaram a subir até três pontos percentuais em determinados vencimentos, refletindo a maior percepção de risco entre investidores e as dúvidas sobre a trajetória das contas públicas.
Analistas ouvidos pela imprensa apontaram que a reação dos mercados está ligada às expectativas sobre a política econômica do próximo mandato. A evolução das cotações dependerá, entre outros fatores, das sinalizações do governo sobre o ajuste fiscal, as metas de resultado primário e o controle da dívida pública. Esses movimentos indicam as expectativas dos agentes financeiros, mas não determinam, por si só, os resultados futuros da economia.




