Relatório rejeitado da CPI descreve 300 festas atribuídas a Vorcaro para contato com autoridades

Vorcaro preso
Documento cita encontros em Trancoso com regras de sigilo e registros internos por câmeras. Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado descreve a realização de cerca de 300 eventos organizados por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, como parte de uma estrutura de contato com autoridades.

O documento, apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE), foi rejeitado por seis votos a quatro na noite de terça-feira (14). Segundo o texto, os encontros eram direcionados a integrantes de diferentes esferas do poder público.

Mensagens de Vorcaro indicam uso dos encontros como atividade

De acordo com o relatório, em que a Gazeta do Povo teve acesso, mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que o próprio Vorcaro tratava a realização das festas como parte de seu “business”.

A comissão aponta que os eventos eram planejados para reunir autoridades e estabelecer relações entre participantes. Registros analisados indicam que os encontros ocorreram ao longo da atuação do banqueiro no grupo financeiro.

Gastos com eventos chegam a milhões, diz documento

A CPI afirma que dados contábeis e fiscais indicam gastos de US$ 11,5 milhões em 2024 com eventos e benefícios a autoridades, valor equivalente a cerca de R$ 60 milhões na cotação da época.

Segundo o relator, há indícios de que os recursos foram utilizados para influenciar decisões e obter proteção em meio a investigações. O relatório aponta aumento dessas despesas entre 2023 e 2025.

Encontros em Trancoso são detalhados pela CPI

O documento também aborda reuniões realizadas em uma casa no sul da Bahia, em Trancoso, conhecidas como “Cine Trancoso”. Segundo registros da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal e compartilhados com a CPI, os eventos eram destinados a um “grupo restrito de autoridades”.

A logística incluía o transporte de mulheres estrangeiras, com custos atribuídos a Vorcaro. O relatório cita países de origem como Rússia, Ucrânia, Lituânia, Suíça, Noruega, Suécia, Holanda, México e Venezuela.

Investigadores apontam que a escolha de estrangeiras tinha como objetivo evitar reconhecimento de autoridades presentes.

Documento menciona regras de sigilo e registro interno

Segundo o relatório, participantes dos encontros eram obrigados a deixar celulares desligados sob controle de seguranças. A comissão afirma que havia câmeras internas na residência.

Na avaliação do relator, esse sistema permitia registrar a presença de convidados. O documento não apresenta nomes de autoridades que teriam participado dos eventos.

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Marco Antonio Costa

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