A América do Sul vive uma nova mudança de rumo político. Após anos de predominância de governos de esquerda, uma sequência de eleições recentes ampliou o espaço da direita no continente e alterou o equilíbrio de forças entre os países da região. A vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia e o favoritismo de Keiko Fujimori no Peru consolidam esse movimento.
No início de 2023, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu seu terceiro mandato, oito países sul-americanos eram governados por líderes de esquerda. Três anos depois, o cenário mudou. Com os resultados mais recentes, a região caminha para ter sete governos de direita contra cinco de esquerda.
A mudança ganhou força após as vitórias de líderes como Javier Milei na Argentina, Daniel Noboa no Equador, Rodrigo Paz na Bolívia e José Antonio Kast no Chile.

Violência e custo de vida pesam mais que ideologia
Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo apontam que a principal motivação dos eleitores não é ideológica, mas prática. Questões como aumento da violência, insegurança pública, custo de vida elevado, desemprego e frustração com resultados econômicos têm pesado mais na decisão do eleitorado.
Em países como Equador, Peru e Colômbia, candidatos de direita cresceram defendendo medidas mais duras contra o crime organizado e prometendo maior estabilidade econômica. O discurso de ordem, segurança e previsibilidade tem encontrado espaço em sociedades que enfrentam crises de violência e desgaste institucional.
Mudança na América do Sul amplia pressão sobre Lula
O novo cenário reduz o número de aliados ideológicos do governo brasileiro na América do Sul e fortalece um bloco de governos mais alinhados a pautas liberais na economia e mais rígidas na área de segurança.
Com a eleição presidencial brasileira marcada para outubro, o avanço da direita no continente também passa a influenciar o debate político nacional. A sequência de vitórias conservadoras em países vizinhos reforça a percepção de uma nova onda política na região e aumenta a pressão sobre governos de esquerda que enfrentam queda de popularidade e dificuldades econômicas.




