O deputado federal Celso Russomanno (Republicanos-SP) apresentou, em outubro de 2025, um projeto que poderia beneficiar seu filho, Celsinho Russomanno, então oficial temporário do Exército e posteriormente candidato a deputado estadual por São Paulo.
O PDL 927/2025, protocolado por Russomanno em 29 de outubro, propunha sustar um decreto do governo Lula que havia estabelecido novas regras para as cartas patentes de oficiais temporários. A mudança poderia afetar militares que deixassem o serviço ativo para disputar eleições.
Celso Russomanno questionou decreto do governo Lula
Na justificativa do projeto, Russomanno argumentou que o decreto ultrapassava os limites constitucionais ao estabelecer restrições para as cartas patentes de oficiais temporários. O deputado defendeu que esses militares deveriam manter as prerrogativas associadas à patente mesmo após o desligamento do serviço ativo.

A discussão alcançava diretamente a situação de Celsinho, que era tenente do Exército. Aos 23 anos, ele deixou o serviço militar em 1º de agosto de 2026, após quase quatro anos de atuação, para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo Republicanos.
O projeto foi apresentado meses antes da saída de Celsinho do Exército. Na documentação oficial, Russomanno fundamentou a proposta em argumentos relacionados à Constituição e às prerrogativas dos militares temporários, sem mencionar o filho como beneficiário da medida.
Após críticas de associações militares, o governo modificou as regras. Um novo decreto retirou a exigência de prazo de validade para as cartas patentes de oficiais temporários que estivessem fora do serviço ativo.
Mesmo com a alteração, Russomanno manteve o PDL para sustar integralmente o decreto original. A proposta ainda não havia avançado na Câmara dos Deputados.
Celsinho Russomanno registrou candidatura a deputado estadual pelo Republicanos com o número 10001. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), declarou patrimônio de R$ 1,42 milhão, incluindo um apartamento avaliado em R$ 550 mil e cerca de R$ 600 mil em saldos bancários.
A candidatura conta com o apoio do pai, que possui uma das trajetórias mais longas da Câmara dos Deputados, com mais de três décadas de atuação parlamentar.




