O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a investigação que pode ser aberta contra ele representa uma “tentativa de golpe” relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023. A declaração consta de uma manifestação de 44 páginas apresentada pelo magistrado à Corte na madrugada desta terça-feira (15), horas antes da sessão que pode decidir sobre a abertura do procedimento.
Na defesa, Moraes também classificou a apuração conduzida pelo ministro André Mendonça como uma ação motivada por interesses “político-eleitorais”. Segundo ele, a investigação seria uma forma de represália por sua atuação nos processos que levaram o ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão.
Moraes contesta atuação de Mendonça e dados da PF
Moraes afirmou que as suspeitas levantadas contra ele são resultado de uma tentativa de vingança de aliados de pessoas condenadas pelo STF pelos atos relacionados ao 8 de janeiro. O ministro também questionou a condução da investigação por Mendonça e pediu que o Supremo reconheça a nulidade do procedimento.
Na manifestação, o ministro classificou como “fantasiosos” os diálogos atribuídos a ele e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Moraes sustenta que o material analisado pela Polícia Federal não apresenta mensagens diretamente atribuídas a ele e afirma que não há elementos que indiquem a prática de crime ou outra conduta irregular.

O documento foi entregue menos de 12 horas antes da sessão extraordinária do STF que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes. O procedimento tem como base elementos reunidos pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro.
A sessão ocorre nesta terça-feira (15), com participação dos ministros aptos a votar sobre o caso. Moraes não participa da decisão relacionada à própria situação. O Supremo também deverá analisar questionamentos sobre a condução da investigação e a validade dos elementos reunidos durante a apuração.




