O superávit de 2027 projetado pelo governo federal está R$ 104,8 bilhões acima da estimativa da Instituição Fiscal Independente (IFI). Enquanto o Orçamento enviado ao Congresso prevê resultado positivo de R$ 18,6 bilhões para as contas do governo central, a IFI calcula um déficit primário de R$ 86,1 bilhões. A diferença coloca em dúvida a necessidade de cortes de despesas ao longo do próximo ano.
A projeção oficial faz parte do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), enviado ao Congresso em 31 de agosto. Considerando as deduções permitidas pelo arcabouço fiscal, o resultado previsto pelo governo chega a R$ 83,4 bilhões, acima do centro da meta, fixado em R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB.
Superávit de 2027 depende de projeções mais otimistas
Uma das principais diferenças entre os cenários está no desempenho esperado da economia. O governo estima crescimento de 2,5% do PIB em 2027. Já o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central em 21 de setembro apontava expansão de 1,43%.
A expectativa de arrecadação também é mais elevada. O governo calcula uma receita primária de aproximadamente R$ 3,46 trilhões em 2027. A IFI estima R$ 3,40 trilhões, enquanto o BTG Pactual projeta R$ 3,44 trilhões.
Outro ponto de divergência está na massa salarial nominal. O Orçamento considera crescimento de 10,1%, contra 7,3% estimados pela IFI. Quanto maior a atividade econômica e a massa salarial, maior tende a ser a arrecadação considerada nas projeções oficiais.
O governo também incluiu receitas esperadas com a reforma tributária. São R$ 636,8 bilhões previstos com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e outros R$ 42 bilhões com o Imposto Seletivo. Neste último caso, porém, a previsão depende da aprovação de uma lei ordinária que ainda não foi votada pelo Congresso.
IFI prevê necessidade de até R$ 35,7 bilhões em cortes
A diferença entre os cenários fica ainda maior quando são consideradas as regras fiscais. Para a IFI, o resultado positivo após as deduções previstas em lei seria de apenas R$ 900 milhões, abaixo do limite inferior necessário para o cumprimento da meta.
Nesse cenário, a instituição estima que o governo precisaria contingenciar cerca de R$ 35,7 bilhões em despesas discricionárias para cumprir as regras fiscais.

O contraste entre as projeções mostra que o resultado das contas públicas em 2027 dependerá do desempenho da economia e da arrecadação. Se as receitas ficarem mais próximas das estimativas do mercado e da IFI, o espaço para manter as despesas previstas no Orçamento poderá ser menor do que o calculado pelo governo.




