A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República passou por disputas dentro da direita, negociações partidárias e controvérsias políticas desde que foi anunciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro de 2025. Às vésperas do primeiro turno de 2026, a campanha reúne o apoio do PL e de aliados, mas também carrega os efeitos de conflitos internos e questionamentos relacionados ao caso Banco Master.
Escolha de Bolsonaro gerou dúvidas na direita
A indicação de Flávio foi anunciada em 5 de dezembro de 2025. Inicialmente, lideranças de setores da direita defendiam a possibilidade de outros nomes, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O senador, porém, sustentou que a decisão estava definida, e a direção nacional do PL confirmou seu nome para a disputa presidencial.
Nos meses seguintes, o partido concentrou esforços na articulação de alianças estaduais e na aproximação com outras siglas de centro-direita. Tarcísio declarou apoio à candidatura em janeiro, enquanto dirigentes do PL passaram a trabalhar para ampliar a presença do senador nos estados.
A escolha do vice também envolveu negociações. Flávio havia manifestado preferência por uma mulher de outro partido para compor a chapa, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) chegou a ser considerada. As conversas não avançaram, e o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado como vice em 5 de agosto, último dia do prazo para as convenções partidárias.
Caso Banco Master e conflito familiar marcaram campanha
Em maio, a divulgação de mensagens e áudios entre Flávio e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trouxe novos questionamentos à campanha. As conversas estavam relacionadas à captação de recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
Flávio afirmou que os contatos tinham relação com o financiamento da produção e negou ter recebido dinheiro pessoalmente de Vorcaro. As investigações sobre o Banco Master e possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme seguiram como temas de repercussão política. As suspeitas investigadas não equivalem, por si só, a uma comprovação de responsabilidade criminal.
Outro episódio ocorreu em junho, quando Michelle Bolsonaro tornou pública uma divergência com o enteado sobre alianças políticas no Ceará. A ex-primeira-dama defendia apoio a Eduardo Girão (Novo), enquanto Flávio e o deputado André Fernandes (PL-CE) apoiavam uma aproximação com Ciro Gomes (PSDB). Após semanas de desgaste, os dois divulgaram manifestações de reconciliação em julho.
STF entrou no discurso eleitoral de Flávio Bolsonaro
Na reta final da campanha, Flávio passou a dar destaque às controvérsias envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Banco Master. Em pronunciamento divulgado em setembro, o senador criticou a relação entre o governo Lula e integrantes da Corte e defendeu mudanças na condução política do país.
A campanha também passou a incentivar o chamado voto útil, com apelos a eleitores de outros candidatos de centro-direita para que considerassem votar em Flávio no primeiro turno. A movimentação ocorreu em meio à divulgação de pesquisas eleitorais, que registraram diferentes cenários para a disputa presidencial.





