A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se prepara para uma possível suspensão do canal Exército do Lula, no WhatsApp, a poucas horas do debate da TV Globo desta sexta-feira (23). Integrantes da campanha receberam informações de que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, poderia determinar a retirada do canal do ar. Até o momento, porém, não há confirmação de uma nova decisão nesse sentido.
O deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal, já orientou os seguidores a adotarem uma alternativa caso o bloqueio aconteça. A estratégia é migrar para o canal oficial de Lula no WhatsApp, para manter a mobilização dos apoiadores na reta final da campanha.

Janones prepara plano B para evitar perda de seguidores
Em mensagem publicada às 10h59 desta sexta-feira, Janones pediu que os integrantes do Exército do Lula também acompanhem o canal oficial do presidente. O deputado afirmou que os seguidores poderiam continuar a mobilização por lá caso o grupo fosse suspenso.
A movimentação acontece no mesmo dia do último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Uma eventual retirada do canal do ar poderia limitar o uso de um dos espaços digitais empregados por Janones para mobilizar apoiadores do petista.
TSE cobra explicações sobre funcionamento do canal
Na quinta-feira (22), Nunes Marques deu prazo de 24 horas para que a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, apresentasse um relatório técnico sobre o canal. A determinação atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, que acusa o grupo de promover ações coordenadas nas redes sociais.

A empresa deverá informar se identificou sincronização de atividades, reprodução sistemática de conteúdos e possível amplificação artificial de publicações. Google e X também foram acionados para prestar esclarecimentos sobre a circulação de termos e hashtags entre 18 e 20 de outubro.
O canal já foi alvo de duas ordens de suspensão. Na primeira, em 11 de outubro, Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio, que apontava disseminação de informações falsas. A decisão foi revertida horas depois pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
Dois dias depois, o presidente do TSE voltou a determinar a suspensão, condicionando o funcionamento do canal ao registro na Justiça Eleitoral. O espaço foi restabelecido após a campanha de Lula informar o endereço ao tribunal.
Defesa de Lula tenta desvincular canal da campanha
Na quinta-feira, os advogados de Lula pediram ao TSE que retirasse o Exército do Lula do registro oficial da candidatura. A defesa argumenta que o canal é administrado por Janones de forma independente, sem financiamento, estrutura ou orientação da campanha.

No mesmo dia, Janones apresentou um mandado de segurança ao tribunal para tentar anular as decisões de Nunes Marques e garantir o funcionamento do canal sem novos bloqueios administrativos.
A possível suspensão ocorre a dois dias da votação do segundo turno. Até agora, não há confirmação de que o TSE tenha determinado uma nova retirada do canal do ar nesta sexta-feira.




