O avanço de investigações sobre o Banco Master levou ao protocolo de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Desde o fim do ano passado, oito denúncias foram apresentadas ao Senado contra Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, com base em apurações conduzidas pela Polícia Federal e por uma comissão parlamentar.
Conforme informações apuradas pela Gazeta do Povo, as denúncias mencionam a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades públicas. Os documentos apontam possíveis crimes de responsabilidade, incluindo suspeição em julgamentos e conduta considerada incompatível com o cargo.
No caso de Toffoli, as acusações tratam da condução de investigações sob sigilo e de possíveis vínculos indiretos com pessoas ligadas ao banco. Já em relação a Moraes, os pedidos citam suposta atuação em favor da instituição financeira e questionamentos sobre sua relação com o investigado.
Investigações do Banco Master fundamentam denúncias
Um dos pedidos com maior número de assinaturas sustenta que Moraes teria atuado junto ao Banco Central enquanto sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato com o Banco Master.
“A magnitude desse contrato, considerado atípico para os padrões do mercado, cria um evidente interesse financeiro indireto para o Ministro, uma vez que a legislação civil brasileira presume a comunhão de bens entre cônjuges casados sob o regime legal”, dizem os deputados no pedido de impeachment.
O ministro afirmou, em manifestação pública, que reuniões com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, trataram de sanções relacionadas à Lei Magnitsky.
“Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master”, afirmou o ministro.
Outro ponto citado envolve mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro no dia de sua prisão. A suspeita é de que o banqueiro teria buscado apoio para evitar medidas judiciais.
“As mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”, afirmou o STF em nota enviada à imprensa a pedido do ministro.
Atuação de Toffoli também é questionada
Seis dos pedidos de impeachment têm como alvo Dias Toffoli. As denúncias concentram-se no período em que o ministro conduziu investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo.
Ainda conforme a Gazeta do Povo, relatórios da Polícia Federal indicaram contatos entre Toffoli e pessoas ligadas ao banqueiro. O material foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, que abriu procedimento para avaliar a suspeição.
Antes da análise pelo plenário, o ministro deixou a relatoria do caso após reunião interna da Corte.
Os pedidos também mencionam operações envolvendo uma empresa da qual Toffoli é sócio e transações com fundos ligados a pessoas investigadas. Há ainda referência a movimentações financeiras apontadas por relatórios do Coaf.
Um dos documentos afirma que a relação configura impedimento para atuação no caso.
“Restou caracterizado vínculo financeiro indireto entre o ministro e pessoas ligadas ao investigado, de modo que se enquadra na hipótese de suspeição objetiva”, diz a denúncia apresentada ao Senado.
Outras petições citam decisões tomadas durante a condução do inquérito, incluindo medidas sobre armazenamento e acesso a dados coletados.
“Tais atos, em tese, situam-se dentro da competência regimental do relator em inquéritos no STF, mas a análise crítica incide sobre a extensão do sigilo (proporcionalidade) e grau de interferência na atividade investigativa com impacto sobre a autonomia da autoridade policial”, diz o pedido de impeachment assinado pelo advogado Marcelo Metzner.




