O principal obstáculo eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 2026 deixou de ser apenas a oposição e passou a ser a própria rejeição. Pesquisas recentes mostram desgaste persistente do petista, cenário que consolidou a polarização com Flávio Bolsonaro e praticamente sufocou o espaço para nomes de terceira via.

O avanço da rejeição ajuda a explicar um movimento que já preocupa aliados do governo: parte do eleitorado afirma ainda votar em Lula, mas demonstra resistência à ideia de um novo mandato. O cenário também abriu espaço para que nomes pouco competitivos nacionalmente apareçam vivos em simulações de segundo turno apenas pelo peso do voto antipetista.
Governo Lula tenta reagir enquanto voto de direita cresce
Nas últimas semanas, o Palácio do Planalto acelerou medidas de forte apelo popular, como ampliação do programa Desenrola Brasil, subsídios e estímulos ao consumo “das blusinhas”. A avaliação de aliados é que o governo tenta conter o desgaste antes que a rejeição se torne irreversível durante a campanha eleitoral.
Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta semana mostra desaprovação de 51,5% ao governo Lula, contra 46,6% de aprovação. O levantamento ouviu 5.008 pessoas entre 22 e 27 de abril, possui margem de erro de um ponto percentual e está registrado no TSE.
O crescimento do desgaste também fortaleceu a lógica do voto útil dentro da direita. Mesmo sem adesão total ao bolsonarismo, parte do eleitorado contrário ao PT passou a enxergar em Flávio Bolsonaro o nome mais viável para enfrentar Lula em um eventual segundo turno.
Enquanto isso, candidaturas de centro e terceira via seguem pressionadas pela dificuldade de demonstrar competitividade real. O efeito prático é um cenário cada vez mais fechado entre dois polos de rejeição elevada, onde boa parte do eleitorado vota mais para impedir a vitória do adversário do que por entusiasmo com o próprio candidato.





