A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar espaço central no debate político nas redes sociais e alterou a estratégia digital dos dois principais nomes da corrida presidencial de 2026, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A disputa em torno do caso Banco Master e das suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes passou a ser explorada pelas campanhas como parte da corrida eleitoral.
O tema ganhou força nas redes após a divulgação de mensagens e outros dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além dos conflitos entre ministros do STF sobre a condução das investigações. O episódio colocou Moraes, André Mendonça, Edson Fachin e o próprio Banco Master entre os assuntos de maior repercussão no debate político digital.
Caso Master entra na disputa eleitoral pelo STF
A repercussão do caso passou a beneficiar diferentes estratégias políticas. Flávio Bolsonaro tem utilizado as críticas ao Supremo e as suspeitas relacionadas a Moraes para reforçar o discurso de oposição ao governo Lula e à atual composição da Corte. O senador também vem cobrando investigações sobre as relações entre autoridades e pessoas ligadas ao Banco Master.
Lula, por outro lado, passou a defender publicamente a transparência nas investigações e a divulgação dos documentos relacionados ao caso. Nas redes, porém, o presidente também ampliou a presença de temas como soberania, segurança pública e combate ao crime organizado, enquanto o debate sobre o STF continuou concentrando parte relevante das interações políticas.

Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque mostra que, entre 30 de agosto e 7 de setembro, o Caso Master e a crise envolvendo o Supremo e a Polícia Federal estiveram entre as principais narrativas do debate político sobre segurança pública nas plataformas digitais. No período, Lula liderou o ranking de engajamento entre os presidenciáveis monitorados, enquanto Flávio Bolsonaro ficou em segundo lugar.
A mudança no debate digital ocorre em um momento de disputa presidencial cada vez mais concentrada entre Lula e Flávio. Pesquisas recentes mostram uma corrida mais apertada, enquanto a crise no STF acrescenta um novo eixo à campanha. A repercussão nas redes, no entanto, não permite concluir sozinha qual candidato será beneficiado eleitoralmente, já que alcance e engajamento digital não equivalem necessariamente a intenção de voto.




