André Janones (Rede-MG) colocou em prática uma estratégia de mobilização digital para associar Jair Bolsonaro (PL) a um suposto plano para matar Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a cinco dias do segundo turno das eleições. Nesta terça-feira (20), o deputado federal orientou apoiadores a espalhar uma pesquisa no Google com a frase “Bolsonaro mandou matar Lula”, usando mensagens de provocação para despertar a curiosidade dos eleitores, sem apresentar provas próprias nem esclarecer, nas orientações divulgadas, se considerava a acusação verdadeira ou falsa.
A iniciativa transforma uma acusação grave em instrumento de disputa eleitoral. Com cerca de 6 milhões de seguidores no Instagram, Janones também administra o grupo “Exército do Lula”, no WhatsApp, usado para mobilizar apoiadores. O parlamentar classificou a estratégia como uma possível “bala de prata” para influenciar o resultado da eleição.
Janones ensina apoiadores a espalhar busca contra Bolsonaro
Em uma das mensagens sugeridas aos seguidores, Janones orientou: “Jogue no Google Bolsonaro mandou matar Lula e veja o que acontece”. Em outra abordagem, propôs que os apoiadores dissessem ter encontrado algo surpreendente na pesquisa, sem explicar o que seria, para incentivar outras pessoas a acessar o buscador.

A estratégia aposta na curiosidade e na repetição da frase para ampliar sua circulação na internet. Em vez de apresentar diretamente os elementos da investigação, a orientação é fazer com que os próprios usuários pesquisem a acusação e tirem conclusões a partir dos resultados exibidos pelo Google.
Plano Punhal Verde e Amarelo foi investigado pela PF
A repercussão da busca reacendeu o debate sobre o plano Punhal Verde e Amarelo, identificado pela Polícia Federal durante as investigações sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022. O documento previa os assassinatos de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na denúncia apresentada ao STF em fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Bolsonaro tinha conhecimento do plano e concordou com a ação. A existência da investigação e o conteúdo da denúncia, contudo, não significam que toda afirmação divulgada nas redes sociais esteja automaticamente comprovada.
Estratégia de Janones levanta questionamentos eleitorais
Janones já foi alvo de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinaram a remoção de conteúdos considerados fake news contra Flávio Bolsonaro (PL), conforme as informações apresentadas no caso.

Ao orientar apoiadores a divulgar uma frase que apresenta uma acusação como afirmação, sem contextualizar os elementos da investigação, o deputado aposta em uma tática de impacto e curiosidade em plena reta final da campanha. A estratégia levanta questionamentos sobre o uso de mecanismos de busca para influenciar a percepção dos eleitores antes mesmo de eles analisarem as informações disponíveis.




