A viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos envolveu o uso de documentos de diferentes nacionalidades e um avião particular que pertence a uma empresa argentina citada em uma investigação sobre suspeitas de corrupção. O trajeto ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o cancelamento dos passaportes brasileiros do senador e exigir a entrega de documentos de outras nacionalidades. As circunstâncias da viagem e as possíveis consequências jurídicas ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.
Flávio Bolsonaro usou passaporte italiano para entrar na Argentina
Segundo informações divulgadas pela CNN, Flávio cruzou a fronteira entre o Brasil e a Argentina utilizando seu passaporte italiano, cidadania que obteve em 2023. A esposa, Fernanda Bolsonaro, e as filhas teriam apresentado documentos brasileiros ou identidade nacional.
A família embarcou em Puerto Iguazú em um jato particular com destino aos Estados Unidos. Antes de chegar a Miami, a aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador. Informações publicadas pelo Metrópoles apontam que o senador utilizou seu passaporte diplomático brasileiro para entrar em território americano.

A decisão de Moraes determinava que Flávio entregasse os passaportes brasileiros e os documentos de outras nacionalidades no prazo de 24 horas. Como os documentos não foram apresentados dentro do período estabelecido, a Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros no sistema da corporação e preparou uma comunicação ao ministro sobre o descumprimento da ordem.
Jato que levou Flávio aos EUA pertence a empresa investigada
A aeronave utilizada no trajeto é um Gulfstream G400, de matrícula argentina LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly S.A. A companhia é citada em uma investigação na Argentina sobre um suposto esquema de contratos superfaturados e pagamentos indevidos relacionados à Agência Nacional de Deficiência (Andis).
Segundo reportagens da imprensa argentina e declarações do deputado Esteban Paulón ao UOL, a investigação apura suspeitas de que empresas fornecedoras de medicamentos e insumos teriam obtido contratos irregulares e realizado pagamentos por meio de operações atribuídas à Baires Fly.
O caso também envolve empresários que teriam relações com integrantes do governo do presidente Javier Milei. Entre os nomes citados está Sergio Mastropietro, apontado por reportagens como possível articulador do esquema. As acusações ainda devem ser tratadas como suspeitas investigadas, e não como prova de culpa.

Não há, nas informações apresentadas, indicação de que Flávio tenha participado das supostas irregularidades envolvendo a empresa.
Viagem ocorre após decisão de Alexandre de Moraes
A viagem ganhou repercussão por ter ocorrido depois da determinação judicial sobre os passaportes. A Polícia Federal investiga o descumprimento da ordem, enquanto os relatos sobre a utilização dos documentos e o percurso do avião foram divulgados pela imprensa.
O caso reúne, portanto, duas questões distintas: o cumprimento da decisão do STF pelo senador e a investigação argentina sobre a empresa responsável pelo voo. Eventuais consequências dependerão da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.




