A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos Estados Unidos teria envolvido uma operação logística com pelo menos três jatos particulares, seis veículos terrestres e rotas alternativas para dificultar a identificação do trajeto. Os detalhes foram publicados pelo jornal argentino Clarín e reproduzidos pela Gazeta do Povo. A reportagem aponta ainda uma possível participação de representantes dos governos dos Estados Unidos e da Argentina na organização do deslocamento, realizado no fim de outubro.
Seis veículos teriam sido usados para despistar
Segundo o relato do Clarín, seis veículos diferentes deixaram, em sequência, a residência da família Bolsonaro, em Brasília. A estratégia teria como objetivo confundir possíveis observadores e dificultar a identificação do automóvel que transportava Flávio, a mulher e as duas filhas.

A família percorreu aproximadamente 1,6 mil quilômetros por terra até a região de Foz do Iguaçu, na fronteira com a Argentina. O deslocamento teria sido adotado depois que o proprietário de um jato contratado inicialmente para levar o senador à região desistiu de realizar o voo, após a divulgação de decisões judiciais que restringiam sua saída do país.
Jatos particulares teriam oferecido rotas alternativas para Flávio Bolsonaro
A operação teria previsto o uso de pelo menos três aeronaves particulares, com possibilidade de uma quarta. Os aviões teriam sido posicionados em aeroportos da Argentina e do Paraguai, com voos simultâneos ou trajetos alternativos para dificultar a identificação da aeronave utilizada pela família.
O principal avião teria sido um Gulfstream IV, que aguardou no aeroporto de Puerto Iguazú até a madrugada de quarta-feira (28). Outro jato, um Learjet, esteve no local horas antes e retornou a Buenos Aires. A reportagem argentina levanta a possibilidade de que essa movimentação tenha funcionado como distração.
Jornal aponta possível participação de agentes estrangeiros
O Clarín também relata que representantes dos Estados Unidos teriam coordenado procedimentos no aeroporto argentino. Funcionários da imigração, da alfândega e da Polícia de Segurança Aeroportuária teriam sido temporariamente afastados durante a operação.
A publicação atribui ao presidente argentino Javier Milei a determinação para que seu assessor Santiago Caputo viajasse discretamente à província de Misiones. O objetivo seria garantir as condições necessárias para a saída de Flávio e de seus familiares. Essas informações ainda dependem de esclarecimentos oficiais.
Parlamentares americanos cobram explicações
A possível participação de agentes americanos motivou questionamentos de deputados democratas ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Os parlamentares querem saber se funcionários do governo Donald Trump atuaram no Brasil, na Argentina ou no Equador, onde a aeronave teria feito uma escala antes de chegar a Miami.

Rubio foi questionado sobre eventual envolvimento da Casa Branca na organização da viagem e recebeu prazo até 13 de novembro para responder. Em declaração pública, porém, o secretário negou que o governo americano tenha facilitado a saída do senador do Brasil.
No Brasil, a Polícia Federal apura as circunstâncias da viagem e busca identificar eventual apoio logístico ou financeiro. A corporação informou anteriormente que Flávio não é considerado foragido, pois não há ordem de prisão contra ele. O senador afirmou que deixou o país por considerar que poderia ser vítima de censura e perseguição.




