A pressão das despesas básicas está mudando a forma como milhões de brasileiros gastam dinheiro. Levantamento da NielsenIQ (NIQ) aponta que contas essenciais avançaram no orçamento familiar em 2025, enquanto despesas consideradas secundárias perderam espaço. O movimento acontece em meio a um cenário de renda pressionada, inflação e aumento das dificuldades financeiras dentro dos lares.
Segundo o estudo, famílias com renda de até dois salários mínimos já direcionam mais de 60% dos ganhos apenas para alimentação e produtos de higiene. Entre os brasileiros que recebem de três a cinco salários mínimos, contas domésticas passaram a consumir mais de metade do orçamento. Ao mesmo tempo, despesas como lazer, alimentação fora de casa, internet, telefone e vestuário perderam participação nos gastos familiares.
Gastos básicos avançam e aumento de contas causam dívidas
O levantamento mostra ainda crescimento do peso de contas da casa, saúde e dívidas dentro do orçamento. Enquanto despesas essenciais avançaram entre 0,2 e 0,4 ponto percentual na comparação com 2024, gastos secundários registraram queda na mesma proporção.
O impacto aparece também na situação financeira das famílias. Quase 75% dos lares brasileiros afirmam viver desconforto financeiro, enquanto 54% já operam perto da insolvência, tentando manter pagamentos em dia. Entre os domicílios mais pressionados, um quinto já convive com contas atrasadas ou endividamento.
No início do mês, diante do aumento da pressão econômica sobre a população de menor renda, o governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas. Mesmo assim, o avanço inicial ainda não mostrou força suficiente para alterar o cenário de aperto financeiro que vem reduzindo o consumo e mudando hábitos dentro das famílias brasileiras.





