A pressão sobre o orçamento das famílias brasileiras aumentou e o endividamento já atinge uma parcela expressiva do país. Levantamento da NielsenIQ (NIQ) mostra que 54% dos lares brasileiros estão no limite da insolvência, tentando manter as contas em dia, enquanto quase 75% afirmam enfrentar desconforto com a própria situação financeira. Os dados acendem alerta sobre renda, inflação e avanço do endividamento em diferentes regiões do país no atual governo.
Dentro do grupo mais pressionado financeiramente, cerca de um quinto dos domicílios já convive com dívidas ou contas atrasadas. O Nordeste aparece como a região mais impactada pelo quadro. Entre os lares com dificuldades financeiras identificados pela pesquisa, quase 25% estão nos estados nordestinos. Especialistas apontam que renda menor, aumento da inadimplência e inflação dos alimentos ampliaram a pressão econômica sobre essas famílias.

Diferença de endividamento entre regiões amplia sinal de alerta econômico
Os números mostram ainda uma desigualdade regional crescente. Enquanto parte dos brasileiros enfrenta aperto no orçamento, um quarto dos lares afirma viver situação financeira confortável. O Sul concentra o maior percentual desse grupo, com 23%, seguido por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, com 20%.
Segundo dados preliminares do Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média mensal no Norte (R$ 2.238) e no Nordeste (R$ 2.015) segue abaixo da média nacional de R$ 2.851. O cenário também aparece no comércio. Levantamento com base na Pesquisa Mensal do Comércio aponta que cinco dos dez estados com menor crescimento nas vendas estão nas regiões Norte e Nordeste.
Outro dado chama atenção para o avanço da desigualdade dentro dos próprios estados. Em São Paulo, por exemplo, o percentual de famílias endividadas no interior é quase o dobro do registrado na Grande São Paulo. O retrato reforça um alerta econômico: o peso do endividamento cresce em ritmo desigual pelo país e aumenta desafios para consumo, crescimento e estabilidade financeira das famílias brasileiras.





