Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu cerca de 10,3 milhões de votos a mais no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 25 de outubro. O presidente terminou a disputa com 64.256.232 votos, contra 53,9 milhões no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, passou de 56,1 milhões para 59.826.041 votos. A diferença entre os dois candidatos mudou de uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões para Flávio para uma vantagem de 4,4 milhões para Lula.
Sudeste concentrou parte do crescimento de Lula
O Sudeste respondeu por cerca de 4,8 milhões dos votos adicionais recebidos por Lula entre os dois turnos, segundo o levantamento publicado pela Revista Oeste. A região reúne os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo e concentra uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro.
Em São Paulo, Lula terminou o segundo turno com 12,1 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu mais de 14 milhões. Em Minas Gerais, o petista obteve cerca de 6,35 milhões de votos, correspondentes a 50,43% dos votos válidos no estado. Os números mostram que o crescimento nacional da votação de Lula ocorreu mesmo com diferenças regionais no resultado.

Comparecimento às urnas também mudou
Outro fator foi a redução da abstenção. No primeiro turno, 21,08% dos eleitores aptos não compareceram. No segundo, o índice caiu para aproximadamente 19,2%, o equivalente a cerca de 30 milhões de ausentes. O comparecimento aumentou em aproximadamente 3 milhões de pessoas entre as duas etapas da eleição.
A mudança no comparecimento, porém, não explica sozinha a diferença entre os resultados. Para entender a variação, também é necessário considerar os eleitores que haviam votado em candidatos eliminados no primeiro turno, aqueles que mudaram de preferência e as alterações nos votos brancos e nulos. Os dados agregados não permitem determinar individualmente como cada eleitor votou nas duas etapas.
Projeções anteriores trabalhavam com outros cenários
Antes da votação decisiva, análises eleitorais consideravam diferentes hipóteses para a transferência de votos, a participação dos eleitores e a preferência dos indecisos. Um estudo de economistas do BTG Pactual, citado na reportagem, examinou 27 combinações desses fatores e não projetou uma vitória de Lula nos cenários avaliados.
Esses cálculos eram projeções condicionadas às premissas adotadas, não resultados oficiais nem garantias sobre o comportamento do eleitorado. A apuração do segundo turno registrou um cenário diferente: Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio ficou com 48,21%, conforme os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).




