A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil e sua chegada aos Estados Unidos abriram uma nova frente de confronto entre a oposição e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Aliados do senador classificam a viagem como um exílio político e afirmam que a ordem para recolher seus passaportes o colocou em um beco sem saída. A decisão judicial ocorreu após a derrota de Flávio na eleição presidencial e está relacionada a uma investigação criminal em andamento.
Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após ordem de Moraes
Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes e o proibiu de deixar o território brasileiro. O prazo terminou na terça-feira (27), sem que os documentos fossem apresentados. A Polícia Federal cancelou os passaportes brasileiros do senador e comunicou ao ministro o descumprimento da ordem.

Na sequência, Flávio viajou com a família em um avião particular que passou pela Argentina e pelo Equador antes de chegar a Miami, nos Estados Unidos. Reportagens apontaram que o senador utilizou um passaporte italiano para entrar na Argentina e um passaporte diplomático brasileiro para ingressar nos Estados Unidos, embora esse último tivesse sido cancelado pela Polícia Federal.
Aliados falam em perseguição política e cobram reação do Senado
Parlamentares próximos a Flávio afirmam que a decisão de Moraes ultrapassou os limites de uma medida judicial e teve efeito intimidatório sobre a oposição. O deputado Maurício Marcon (PL-RS) classificou a saída como exílio, enquanto Carlos Jordy (PL-RJ) declarou que, se o senador deixou o país para escapar da pressão, teria agido corretamente.
Os aliados também relacionam o episódio à disputa pela presidência do Senado em 2027. Marcon defendeu o apoio a Rogério Marinho (PL-RN), em vez de Davi Alcolumbre (União-AP), que tem evitado abrir processos de impeachment contra Moraes. Na avaliação dos parlamentares, a possibilidade de medidas judiciais contra Flávio pode pressionar senadores da oposição.

As declarações refletem a interpretação política dos aliados. Não há comprovação pública de que Moraes tenha determinado as medidas com o objetivo de influenciar a eleição para a presidência do Senado.
Investigação contra Flávio segue em andamento
A decisão sobre os passaportes foi tomada no contexto de uma investigação que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro atribuídas a Flávio e ao advogado Willer Tomaz. A existência da investigação não comprova culpa, e eventuais responsabilidades dependem da apuração e das decisões judiciais.
O caso intensificou o confronto entre a oposição e o STF. Para os aliados do senador, a viagem representa uma reação à pressão que atribuem ao ministro. As autoridades, por sua vez, ainda podem esclarecer as consequências jurídicas do descumprimento da ordem judicial.




