O jornal americano The Wall Street Journal (WSJ) publicou nesta quarta-feira (28) um editorial que questiona a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e alerta para o risco de o Brasil caminhar em direção à autocracia. O texto também aponta o que considera uma possível vingança política contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), que chegou aos Estados Unidos após deixar o país com a família.
Intitulado “No Brasil, a vitória traz consigo a vingança política”, o editorial critica decisões judiciais envolvendo a oposição e menciona a concessão de vistos humanitários pelo governo de Donald Trump a Flávio e seus familiares.
Moraes é alvo de críticas em editorial americano
O WSJ afirma que Flávio é alvo de investigações, mas ainda não foi formalmente acusado de nenhum crime. Na avaliação do jornal, o senador teria motivos para temer que não recebesse um julgamento justo caso viesse a responder criminalmente.

O editorial também questiona a decisão de Moraes de autorizar um pedido da Polícia Federal para apreender os documentos de viagem de Flávio. O jornal acusa o ministro de ampliar sua própria jurisdição quando isso atenderia a objetivos políticos, uma avaliação apresentada no texto de opinião.
A publicação ainda relembra uma declaração de Lula durante o debate presidencial da Band, antes do segundo turno. Na ocasião, o presidente afirmou que Flávio enfrentaria problemas com investigações depois de perder a imunidade parlamentar, caso não vencesse a eleição.
Para o WSJ, a fala reforça a preocupação com o uso político de investigações. Essa interpretação, porém, representa a posição defendida pelo jornal e não uma conclusão judicial sobre a conduta do presidente ou do ministro.
WSJ alerta para risco de autocracia no Brasil
O editorial também cita brasileiros que, segundo o jornal, deixaram o país por receio de prisão ou censura. A publicação relaciona esse cenário a decisões do STF e à anulação, em 2017, das condenações de Lula por corrupção.

Outro ponto destacado é a possibilidade de Lula indicar até quatro ministros para o Supremo durante o novo mandato. O texto menciona a vaga deixada por Luís Roberto Barroso e as aposentadorias previstas de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
Ao final, o WSJ afirma que caberá ao Senado defender a independência do Judiciário. O jornal compara o cenário brasileiro a processos de enfraquecimento democrático registrados em outros países e conclui que ainda não está claro se as instituições do Brasil conseguirão resistir a esse risco.




