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Endividamento das famílias pode travar consumo e pressionar economia em 2027

Endividamento das famílias pode travar consumo e pressionar economia em 2027
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em julho de 2026, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O avanço é mais forte entre os consumidores de menor renda e pode limitar o consumo das famílias em 2027, criando pressão adicional sobre o crescimento da economia.

Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, 84,9% tinham algum compromisso financeiro em julho, contra 81,2% no mesmo mês de 2025. A inadimplência também avançou nesse grupo: 38,5% das famílias estavam com contas atrasadas, e 17,8% afirmaram não ter condições de quitar os débitos.

Crédito caro aumenta pressão sobre orçamento

A situação ocorre mesmo com a redução da taxa básica de juros. A Selic caiu de 15% para 14% ao ano, mas os juros cobrados dos consumidores continuaram elevados e chegaram a 64% ao ano em junho, segundo os dados citados pela reportagem. Cartão de crédito e empréstimos pessoais não consignados estão entre as modalidades que mais pesam sobre as famílias de menor renda.

Endividamento das famílias pode travar consumo e pressionar economia em 2027
(Foto: Reprodução)

Dados do Banco Central mostram que o comprometimento da renda das famílias com juros e amortizações chegou a 29,3%. O endividamento, que representava 38,2% da renda disponível em março de 2014, alcança atualmente 49,7%, indicando uma situação financeira mais pressionada do que no período que antecedeu a recessão de 2014 a 2016.

Endividamento pode desacelerar consumo em 2027

O cenário preocupa porque o consumo das famílias é um dos principais componentes do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo projeção do BTG Pactual citada na reportagem, uma redução do endividamento e dos estímulos fiscais pode fazer o crescimento real do consumo desacelerar para 0,8% em 2027. Em um cenário mais negativo, o consumo poderia recuar 0,4%.

A avaliação dos economistas é que famílias de menor renda têm maior propensão a consumir e, ao mesmo tempo, possuem menos reservas financeiras. Com o orçamento comprometido pelas dívidas, uma parcela maior da renda passa a ser direcionada para o pagamento de juros e parcelas, reduzindo o espaço para novas compras.

O risco para 2027, portanto, está na combinação entre endividamento elevado, crédito caro e eventual retirada de estímulos fiscais. Caso as famílias precisem reduzir o consumo para reorganizar as finanças, o movimento poderá limitar a atividade econômica e dificultar a expansão do PIB.

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Marco Antonio Costa
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