O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou, por meio da Embratur, que a contratação de uma empresa ligada a um sócio de Daniel Vorcaro para o aluguel de cruzeiros utilizados na COP30 seguiu os procedimentos legais e passou por auditoria do Tribunal de Contas da União.
Governo contratou cruzeiro diretamente com operadoras
A operação envolveu a utilização de navios como hospedagem para delegações durante a conferência, realizada em Belém, entre 10 e 21 de novembro de 2025. O custo total foi de R$ 350,2 milhões.
Segundo informações apuradas pelo Metrópoles, a Secretaria Especial da COP30, vinculada à Casa Civil, utilizou a Embratur para viabilizar o fretamento das embarcações. A contratação não ocorreu diretamente com as operadoras dos navios.
A agência firmou contrato com a empresa “Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda”, responsável por intermediar o fretamento junto às companhias MSC Cruzeiros e Costa Cruzeiros.
A Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Daniel Vorcaro em um empreendimento hoteleiro em Campos do Jordão (SP).
Nota da Embratur
Em nota, a Embratur informou que a escolha da empresa ocorreu por meio de chamamento público. De acordo com o órgão, o contrato foi analisado pelo TCU, que aprovou a contratação por unanimidade.
“No Acórdão 756/2026, o tribunal considerou ‘a plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica para a decisão, bem como os estudos preliminares que a sustentaram’. Além disso, o TCU também atestou que o modelo adotado pela Embratur se mostrou ‘economicamente mais vantajoso em comparação à alternativa de afretamento direto’”, informou a agência.
O caso teve relatoria do ministro Bruno Dantas. Na decisão, foram citados fatores como a limitação da rede hoteleira no Pará e a natureza da operação.
“Considerando, por fim, que o valor final executado, de R$ 350.240.506,46, mostrou-se inferior ao teto estimado após o apostilamento (R$ 454 milhões) e revelou-se economicamente vantajoso frente à alternativa de afretamento direto (charter), que exigiria desembolso antecipado de cerca de 50 milhões de euros, sem possibilidade de abatimento por vendas privadas”, diz o acórdão.
Sobre a relação entre Cohen e Vorcaro, a Embratur afirmou que não houve participação do Banco Master no processo.
“A estruturação financeira da operação foi garantida pelo banco BTG Pactual, por meio da emissão de carta fiança. Não houve qualquer participação do Banco Master no processo de contratação dos navios”, informou.
O governo também declarou que a empresa apresentou documentação para comprovar capacidade técnica e regularidade jurídica durante a seleção.




