O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não planeja apoiar a reivindicação do senador Flávio Bolsonaro (PL) de ser o líder legítimo do Brasil. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (30) pela agência Reuters, com base em relatos de uma autoridade americana e de outra pessoa familiarizada com o assunto, que falaram sob condição de anonimato.
Segundo as fontes, a posição do governo americano não impede uma eventual mudança de estratégia. Trump poderia rever sua decisão, mas, neste momento, não pretende respaldar as ambições políticas do senador, mesmo após autorizar a entrada dele e de sua família nos Estados Unidos.

Governo Trump evita apoiar reivindicação de Flávio
Uma terceira autoridade americana disse à Reuters que a avaliação dentro do governo é de que o capital político de Flávio diminuiu depois de sua saída do Brasil. O senador deixou o país após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e chegou a Miami na quarta-feira (28).
Na ocasião, Flávio publicou uma carta em que se declarou “o verdadeiro presidente eleito” do Brasil. Minutos depois, retirou essa expressão de uma nova versão do documento e passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
A Reuters também informou que a administração Trump pode estar evitando uma nova crise nas relações com o governo brasileiro. Apesar de questionar a condução da eleição, o presidente americano afirmou que não apoiou nenhum candidato e declarou que mantém uma boa relação com Lula.
Trump questionou eleição, mas elogiou relação com Lula
Na segunda-feira (26), Trump afirmou que a eleição brasileira parecia “manipulada” e que havia deixado uma “péssima impressão”. Ao mesmo tempo, disse que gosta de Lula, que se dá bem com o presidente brasileiro e que pretende conversar com ele.

A entrada de Flávio nos Estados Unidos foi autorizada após uma articulação envolvendo integrantes do governo americano. De acordo com a Reuters, o secretário de Estado Marco Rubio recomendou que Trump permitisse a entrada do senador e de sua família. O presidente aprovou a medida, e as autoridades concederam autorização humanitária temporária.
A viagem aconteceu depois que Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes de Flávio. A ordem foi tomada em uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A reportagem também aponta que a saída do senador provocou críticas entre conservadores brasileiros que esperavam que ele liderasse a oposição nos próximos anos. Para fontes ouvidas pela agência, a permanência de Flávio nos Estados Unidos pode enfraquecer a articulação política da oposição no Congresso.




