O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, negou ter cometido fraude nas operações com o Banco de Brasília (BRB) e afirmou que a instituição pública não sofreu prejuízos. Em depoimento, ele contestou as conclusões da Polícia Federal (PF), disse ser vítima de perseguição e pediu o arquivamento do processo. A investigação aponta a suspeita de que R$ 12,2 bilhões em créditos adquiridos pelo BRB não teriam comprovação de existência.
Vorcaro atribuiu a crise enfrentada pelo banco público à liquidação do Master e às investigações. Segundo ele, depois da liquidação e de sua prisão, clientes retiraram R$ 9 bilhões do BRB. “A crise do BRB não foi causada por mim”, declarou.

Vorcaro contesta suspeita de fraude contra o BRB
O ex-banqueiro negou a comercialização de créditos inexistentes e afirmou que nem o BRB nem seus clientes perderam dinheiro. Ele reconheceu problemas em carteiras vinculadas à empresa Tirreno, mas disse que os ativos foram substituídos para resolver a situação.
Vorcaro também acusou um agente de persegui-lo há seis anos. Na avaliação do empresário, a suspeita de fraude bilionária seria uma tentativa de justificar sua prisão. Ele pediu uma perícia internacional independente e criticou a pressão sobre os investigadores.
“Fraude não teve. Não teve fraude. Não tem cliente que perdeu dinheiro, o BRB não perdeu dinheiro”, afirmou durante o depoimento.
Ex-banqueiro explica imóveis de R$ 146 milhões
Vorcaro também negou ter oferecido imóveis avaliados em R$ 146 milhões a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, como compensação. Segundo sua versão, os imóveis seriam disponibilizados apenas para moradia, sem transferência de propriedade, caso Costa assumisse um cargo de gestão após uma eventual fusão entre os bancos.
“Eu não prometi imóvel para ele. Prometi imóvel para ele morar, como parte do benefício de ser gestor do banco”, declarou.
PF indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas
Na quarta-feira (28), a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório de mais de 700 páginas com o indiciamento de Vorcaro, Paulo Henrique Costa e outras 13 pessoas.

Segundo os investigadores, o BRB adquiriu R$ 17,5 bilhões em ativos do Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, R$ 12,2 bilhões corresponderiam a créditos sem comprovação de existência.
Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, indução a erro, falsidade em informações ou documentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Costa responde por suspeitas de gestão fraudulenta e organização criminosa.
A PF solicitou mais 60 dias para concluir as investigações. As acusações ainda dependem do andamento do processo e de eventual decisão judicial.




