Senadores tentam anular votação que derrubou relatório da CPI do Crime Organizado

Fachada do Congresso onde senado debate cpi do crime
Documento oficial detalha as substituições de membros da oposição por parlamentares da base governista. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Senadores da oposição formalizaram, na última sexta-feira (17), um recurso para contestar a validade da sessão que rejeitou o parecer final da CPI do Crime Organizado. O grupo busca a anulação do placar de 6 x 4, que descartou o texto do relator Alessandro Vieira (MDB-SE).

Manobra na composição do colegiado

O questionamento jurídico baseia-se em alterações na lista de integrantes da comissão efetuadas por lideranças governistas momentos antes da deliberação. Conforme o documento protocolado por Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcos do Val (Avante-ES), as substituições alteraram a correlação de forças no grupo. As informações são da CNN Brasil.

Entre as trocas citadas, Jorge Kajuru (PSB-GO) cedeu vaga para Soraya Thronicke (PSB-MS), enquanto Sergio Moro (PL-PR), da oposição, foi substituído por Beto Faro (PT-PA), alinhado ao governo. O relatório original sugeria o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), do Procurador-Geral da República e do ex-presidente do Banco Central.


“A utilização dessa prerrogativa contribuiu para a formação de um colegiado que, no momento decisório, já não espelhava de forma autêntica a distribuição política da Casa, reforçando o caráter artificial da recomposição realizada”


Alegação de desvio de finalidade na CPI do Crime Organizado

Os autores do recurso sustentam que a movimentação não seguiu o fluxo regimental comum. Segundo os senadores, o ato configurou um “evento excepcional que altera a própria identidade do colegiado”. A tese defendida é a de que houve desvio de finalidade ao utilizar a prerrogativa de substituição de membros para garantir um resultado específico na votação.

O texto também estabelece um paralelo com eventos ocorridos na CPMI do INSS, onde o governo aplicou estratégia similar para tentar evitar indiciamentos, incluindo a exoneração temporária de ministro para votação no Senado. No caso atual, a oposição possuía maioria antes das trocas, mas o novo arranjo garantiu a vitória governista, que ainda dispunha do voto de minerva do presidente Fabiano Contarato (PT-SE).

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Marco Antonio Costa

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